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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

a arte

é a qualidade estética que nos faz reconhecer uma obra de arte?
sendo a estética relativa, subjectiva e a maior parte das vezes ineligível, sob este aspecto é sem dúvida indefinível, não há descrição consensual na história ou na filosofia do que é uma obra de arte.

apenas os juristas têm uma definição rigorosa elaborada por coleccionadores, conservadores e representantes do mercado da arte em total conhecimento de causa. O que se entende juridicamente por uma obra de arte não é mais que limitar-se a indicar objectos negociáveis e não abarca nem a literatura, nem a música nem as artes do espectáculo, nem tão pouco recorre a nenhum julgamento estético. toda a noção de qualidade está ausente.

uma obra de arte define-se assim por apenas dois critérios: ela é única e produz um numero limitado, ou ela deve ser obrigatoriamente fabricada ou controlada pelo artista.

portanto qualquer objecto não reproductível pode ser um arquétipo de objecto de arte, qualquer quadro medíocre é uma obra de arte qualquer que seja o julgamento pessoal que tenhamos sobre ele.

a sua qualificação como obra de arte não depende nem do estilo nem da época, nem da notoriedade do autor apenas tem que ser "original".

ora, ser "original" é uma noção complexa que engloba noções de novidade, autenticidade e unicidade. Sendo que a novidade e a autenticidade podem ser produzidas industrialmente resta a unicidade ou dito de outra forma as "fabricas de raridades"....

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Arte












uma foto de um crucifixo mergulhado em urina;
unhas envernizadas com sangue de um morto;
lavar os pés dos visitantes e fazer-se baptizar com essa água;
limpar os sapatos tendo por tapete a bandeira do país;
defecar em público;
banhar-se em ketchup com uma boneca enfiada no rabo;
foto da cara coberta de excrementos;
animais cortados transversalmente conservados em formol;
pornografia, tortura, morte, sangue, liquidos corporais.

o que é que isto tudo tem em comum? é arte.
pelo menos é isso que nos dizem os seus autores.

a busca da indignação e da provocação é o sintoma pretendido para medir a originalidade da obra. a hostilidade do público faz parte integrante do jogo, um jogo no limite entre o legal e o clandestino, quando o jogo que se joga é a procura dos holofotes.

em 94 um artista marselhês bombardeava turistas com ovos e farinha enquanto os filmava com o objectivo de fazer uma "escultura social". depois da apresentação de queixas à policia por parte de algumas vitimas, foi condenado, um ano depois, a uma multa de 2000 euros no mesmo dia em que era inaugurada a exposição.