segunda-feira, 15 de junho de 2009

via lactea

john marten cirurgião e charlatão publicou em 1712 "onania ou o pecado odioso da poluição de si mesmo" livro que conheceu um sucesso fulgurante, onde acusa a masturbação de todos os males: perda de faculdades individuais, envelhecimento precoce, loucura, tuberculose...

esta condenação teve eco em médicos, em kant, rosseau, voltaire, em enciclopédias ... tornou-se numa ameaça paradoxal no momento em que se dá a reviravolta para a modernidade nascente que valoriza a imaginação, o excesso e a intimidade... o masturbador é visto demasiado moderno, descontrolado e incontrolável, representando, de certa forma, uma ameaça para a sociedade e é assim denunciado.

claro que a igreja se coloca do lado da proibição dos prazeres terrenos onde a única virtude é a castidade absoluta e a finalidade de vida é a sua própria expiação em nome da promessa paradisíaca do além com a ressurreição da alma.

um longo percurso pois até ás batalhas do femininismo (a libertação sexual) ao direito do prazer a solo das mulheres e ao vibrador, porque os homens esses continuaram impunemente a esgalhar o pessegueiro.

a nossa relação (dos homens) com os sex-toys é no entanto curiosa para não dizer contraditória. se porventura os aceitamos como catalisadores sexuais femininos, se gracejamos e os aceitamos em grupo restrito em sinal de modernidade, e temos curiosidade em relação a eles, essa curiosidade e aceitação não passa a maior parte das vezes a porta da nossa própria casa.

e se as mulheres reconhecem o clitóris como a parte mais importante do corpo na estimulação sexual, continuam a considerar a penetração como o acto central para o seu parceiro apesar do pouco talento dalguns em estimular simultaneamente o clitóris. os sex-toys ajudam a resolver este dilema permitindo a estimulação clitoriana durante a penetração.

"os homens não servem para nada mas mesmo assim gostamos deles"

talvez seja esse o medo masculino que se esconde na aceitação destes objectos. mas mesmo por parte das mulheres, as bolas de geisha, por exemplo, são igualmente recebidas com perplexidade, nem fálicas nem vibrantes, são incompreensíveis por requerem uma vagina activa ao solicitam alguns músculos apenas treinados em aulas pré-parto... uma pena, um desperdício.

6 comentários:

tronxa disse...

o bicho Homem ainda tem muitos preconceitos com o sexo...

foram muitos anos de repressao e de retaliaçao para quem gostava de sentir prazer...

pena que hoje em dia se de mais valor á quantidade que á qualidade...

bjnhsss de boa semana

alfabeta disse...

Eu prefiro sempre a qualidade!

;)

Nanny disse...

Grande texto! Não pelo nº de letras nem de linhas, mas pelo conteúdo.

Temo já não ter neurónios suficientes a funcionar, a esta hora, para o comentar... hihihi

Contrariamente ao que se diz, de forma generalizada, os homens têm mais inseguranças sexuais do que deixam transparecer... a gestão da imagem de machos e senhores não lhes permite a sinceridade de o reconhecer, gostei de ver que não és tanto assim... ;-)

Beijocas da gata

Vulgar disse...

troncha,
pois é...será que fomos do 8 par o 80?
beijo

alfabeta,
eu também.
mas para atingir a qualidade não temos que passar pela quantidade?
beijo

Nanny,
e pá, agora fiquei a babar...

a propósito de insegurança, sabes qual a diferença entre medo e pánico?

medo: a primeira vez que se falha a segunda.

pánico: a segunda vez que se falha a primeira.

beijo

Felina disse...

Cada pessoa deve procurar a melhor maneira de sentir prazer se isso passa por masturbação a solo ou utilização de acessorios deve fazer lo sem receios medos ou complexos, o sexo deve ser encarado com naturalidade e náo pode ser generalizado, para mim masturbação é bom como complemento, não substitui o homem nem mulher, a presença do parceiro intensifica mais o prazer porque ha o beijo... o toque ...o cheiro um homem que sabe amar serve e muito ... é valido para as mulheres também

Vulgar disse...

Felina,
uma vénia cheirosa...
e já agora um beijo.