sexta-feira, 14 de agosto de 2009

a vulgaridade

" a vulgaridade é a água forte da mediocridade. na ostentação do medíocre reside a psicologia do vulgar; basta insistir nos traços suaves da aguarela para se ter água-forte.

... é uma acentuação dos estigmas comuns a todo o ser gregário; apenas floresce quando as sociedades se desequilibram em desfavor do idealismo. é a renuncia ao pudor daquele que carece de nobreza. nenhum trabalho original a comove. desdenha o verbo altivo e os romantismos comprometedores. sua zombaria é pouco consistente, sua palavra muda, seu observar opaco...

... repudia as coisas líricas porque estas obrigam a pensamentos muito altos e a gestos demasiado dignos. é incapaz de estoicismos: sua frugalidade é um cálculo para gozar mais tempo dos prazeres, reservando maior perspectiva de gozo para a velhice impotente...

... admira o utilitarismo egoísta, imediato, pequeno, contado. posto a eleger, nunca segue o caminho que lhes indique sua própria inclinação, senão o que lhes marcaria o cálculo dos seus iguais. ignora que toda a grandeza de espírito exige a cumplicidade do coração...um pensamento não fecundado pela paixão é como um sol de inverno, alumia, mas sob seus raios pode-se morrer gelado...

...a vulgaridade transforma o amor da vida em pulsanimidade; a prudência em covardia; o orgulho em vaidade; o respeito em servilismo. leva à ostentação, à avareza, à falsidade, à avidez e à simulação..."

em "o homem medíocre" de José Ingenieros

6 comentários:

A Silenciosa disse...

Nunca entendi porque ser vulgar é tão mau, porque teremos todos de olhar a originalidade como meta.

Sou vulgar, e dentro da minha vulgaridade tenho alguma paz, uma vez que o conformismo de ser vulgar é também o meu escudo contra pseudoinvulgares.

Lamento mas não concordo como "teu" texto.

Mas mereces um beijo meu na mesma :)

Vulgar disse...

Adorei o teu comentário porque foi também o que senti quando li este texto.
Achei no entanto piada ao livro, especialmente ao capitulo dedicado à vulgaridade, que é de certa forma o perfil que adoptei para o meu blog.

Também porque esta é uma obra datada com cerca de 100 anos mas que mantêm em certas vertentes alguma actualidade embora demasiada enraizada na dualidade de alma e corpo que é coisa que hoje em dia está mais que ultrapassada.

É aliás esse erro da dualidade que leva a sublimação da nobreza de certos sentimentos igualmente datados no tempo, e que desprezam intencionalmente a verdadeira essência da nossa existência e a pulsão de vida que a sustenta.

E também estou de acordo contigo quanto à busca desenfreada da originalidade a qualquer custo conforme o meu post de Maio sobre Arte...

Por isso, aceita o meu beijo

Anónimo disse...

Passando p/ te deixar um carinho e me desculpar pela minha ausência.


Tem selinho no Atrevida p/ vc
Bjssssssss com carinho
Hellena

A Silenciosa disse...

Só um pequeno comentário á música....parabens pela escolha.

Magnifica

Beijo

Vulgar disse...

Cara Hellena,
Obrigado pelo teu carinho... e pelo selo...
um beijo

Vulgar disse...

Silenciosa,

... pelos vistos temos coisas em comum... e o silêncio não é uma delas.
mas fiquei curioso...

um beijo.