o capitalismo não existe.
existe uma economia que se divide entre um enorme sector publico e um enorme sector privado nas mãos de instituições totalitárias.
concentram enormes poderes, ligadas entre si por alianças estratégicas e dependentes de estados poderosos para socializar os riscos e os custos.
a teoria da livre troca, segundo adam smith, assenta na hipotese de que o trabalho é móvel e o capital imovel, na realidade passa-se exactamente o contrario, o trabalho é imóvel mais do que alguma vez já foi, e o capital desloca-se sem controle desde o inicio da desregulação financeira.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Sentido da vida
acontece muito, compro um livro leio umas paginas e pronto vai ficando na pilha mental dos livros por ler.
tem uma vantagem, de vez quando vasculho e encontro uma perola qualquer camuflada pelo pó dos tempos na estante dos esquecidos.
foi lá que encontrei e trouxe nesta viagem uns ensaios sobre o sentido da vida organizados por um tal desidério murcho. o nome do sr. já deveria ser suficiente para que não augurasse uma injecção de adrenalina nas veias, efectivamente, murcho, e o sufixo des, de desistencia por exemplo, já era prenuncio q.b.
afinal depois de ler mais algumas páginas, percebe-se que tudo gira em torno da existencia de deus:
se deus não existir, a vida não tem sentido.
a negação desta afirmação, é a afirmação seguinte:
deus não existe, mas a vida tem sentido.
e mais radical:
se deus existisse , a vida não teria sentido.
ás vezes gosto de radicalismos, têm uma genese muito própria.
tem uma vantagem, de vez quando vasculho e encontro uma perola qualquer camuflada pelo pó dos tempos na estante dos esquecidos.
foi lá que encontrei e trouxe nesta viagem uns ensaios sobre o sentido da vida organizados por um tal desidério murcho. o nome do sr. já deveria ser suficiente para que não augurasse uma injecção de adrenalina nas veias, efectivamente, murcho, e o sufixo des, de desistencia por exemplo, já era prenuncio q.b.
afinal depois de ler mais algumas páginas, percebe-se que tudo gira em torno da existencia de deus:
se deus não existir, a vida não tem sentido.
a negação desta afirmação, é a afirmação seguinte:
deus não existe, mas a vida tem sentido.
e mais radical:
se deus existisse , a vida não teria sentido.
ás vezes gosto de radicalismos, têm uma genese muito própria.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
dar-lhes conversa
sexo praticado em viagem de avião faz parte do imaginário colectivo, talvez remotamente relacionado com os filmes eróticos da emanuelle ali na década 70 (estou mesmo velho) o que é certo é que secretamente ou inconscientemente se projecta esse desejo em cada viagem.
claro que não passam de projecções facilmente desfeitas pelas limitações impostas pela realidade por diversos motivos que agora não interessa escalpelizar.
mas já que não se pode ter tudo, pelo menos há aquela expectativa de saber se será desta que me vai calhar aquela bomba simpática e carente no lugar ao lado de meu, o que, com a quantidade de viagens que tenho feito ultimamente era apenas uma questão de tempo, algum dia iria acontecer.
pois bem aconteceu, feita a conversa de circunstancia naturalmente entabuamos um dialogo ao principio tacteante e algo tímido mas logo ganhando ritmo. é impressionante como é fácil com duas ou três perguntas pôr uma mulher a falar de si, tão fácil que se corre o risco do dialogo se transformar em monologo muito rapidamente...
felizmente depois de saber do pai, da mãe, do namorado, do cão, do apartamento, do curso e sei la que mais apagaram as luzes e mandaram-nos fazer ó-ó.
claro que não passam de projecções facilmente desfeitas pelas limitações impostas pela realidade por diversos motivos que agora não interessa escalpelizar.
mas já que não se pode ter tudo, pelo menos há aquela expectativa de saber se será desta que me vai calhar aquela bomba simpática e carente no lugar ao lado de meu, o que, com a quantidade de viagens que tenho feito ultimamente era apenas uma questão de tempo, algum dia iria acontecer.
pois bem aconteceu, feita a conversa de circunstancia naturalmente entabuamos um dialogo ao principio tacteante e algo tímido mas logo ganhando ritmo. é impressionante como é fácil com duas ou três perguntas pôr uma mulher a falar de si, tão fácil que se corre o risco do dialogo se transformar em monologo muito rapidamente...
felizmente depois de saber do pai, da mãe, do namorado, do cão, do apartamento, do curso e sei la que mais apagaram as luzes e mandaram-nos fazer ó-ó.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
orgasmo feminino
recordação prévia. durante muito tempo pensamos que o orgasmo feminino tinha uma função biológica útil no quadro da evolução: incitamento da mulher ás relações sexuais e portanto a criar descendência, selecção dos homens e estabilização do casal, aspiração do esperma por contracção da vagina para facilitar a fertilização... apesar das injunções religiosas que condenavam os prazeres da carne, o prazer feminino continuou na crista da onda.
pois tudo isto hoje é invalidado pelas análises cientificas. se os centros de prazer no cérebro são estimulados (o que é demonstrado pelas imageologia cerebral) produzindo hormonas especificas sobre as quais se descobre actualmente variadas potencialidades, o orgasmo feminino não teria «outro objectivo que não seja ele próprio».
pois tudo isto hoje é invalidado pelas análises cientificas. se os centros de prazer no cérebro são estimulados (o que é demonstrado pelas imageologia cerebral) produzindo hormonas especificas sobre as quais se descobre actualmente variadas potencialidades, o orgasmo feminino não teria «outro objectivo que não seja ele próprio».
quarta-feira, 21 de março de 2012
je ne sais pas quoi
parece que ninguém sabe muito bem porque entre milhares de lindas e deslumbrantes modelos, meia dúzia sobressaem e tornam-se top models.
objectivamente nada fisicamente sobressai de umas para as outras evocando-se normalmente, pelo que nos chega do mundo da moda (fotografos, estilistas, clientes...) a intuição ou o instinto que faz com que saibam quando as vêm que tal ou tal tem... mais qualquer coisa... um "je ne sais pas quoi".
uma mão cheia de nada para explicar as diferenças de sucesso entre as modelos normais e as super top models.
outra mão cheia de nada para explicar retrospectivamente as opções amorosas de toda uma vida.
objectivamente nada fisicamente sobressai de umas para as outras evocando-se normalmente, pelo que nos chega do mundo da moda (fotografos, estilistas, clientes...) a intuição ou o instinto que faz com que saibam quando as vêm que tal ou tal tem... mais qualquer coisa... um "je ne sais pas quoi".
uma mão cheia de nada para explicar as diferenças de sucesso entre as modelos normais e as super top models.
outra mão cheia de nada para explicar retrospectivamente as opções amorosas de toda uma vida.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Selectividade
uma empresa pouco conhecida enterrou um cabo de fibra óptica entre Wall Stret e Chicago atravessando vales, quintas, rios e montanhas numa extensão de 1300 km para ligar as duas bolsas.
esta proeza técnica, que custou 300 milhões de dólares reduz em 3 milisegundos as operações financeiras de alta frequência e representa uma vantagem competitiva importantíssima onde as ordens de compra e venda se automatizam no labirinto de potentes algoritmos informáticos. a antecipação do futuro rende.
simultâneamente a ligação ferroviária entre as duas cidades faz-se a mesma velocidade que se praticava em 1950, e o país parece incapaz de produzir comboios mais rápidos.
esta proeza técnica, que custou 300 milhões de dólares reduz em 3 milisegundos as operações financeiras de alta frequência e representa uma vantagem competitiva importantíssima onde as ordens de compra e venda se automatizam no labirinto de potentes algoritmos informáticos. a antecipação do futuro rende.
simultâneamente a ligação ferroviária entre as duas cidades faz-se a mesma velocidade que se praticava em 1950, e o país parece incapaz de produzir comboios mais rápidos.
domingo, 11 de dezembro de 2011
dualidade
o principio de separação da alma e do corpo, tão inculcado há mais de 2000 anos na nossa cultura ocidental, mesmo que amplamente contradito como prova a ciência das ultimas décadas, continua a influenciar a tendência para o individualismo na sociedade que agora é global.
isto a propósito da surpreendente história do ancião kanac, autóctone da nova caledónia que, interrogado acerca do que, na sua opinião, fora o contributo dos valores ocidentais para a sua cultura, respondeu: «o que voçês nos trouxeram foi o corpo.»
isto a propósito da surpreendente história do ancião kanac, autóctone da nova caledónia que, interrogado acerca do que, na sua opinião, fora o contributo dos valores ocidentais para a sua cultura, respondeu: «o que voçês nos trouxeram foi o corpo.»
sexta-feira, 20 de maio de 2011
mimetismo
o desejo dos homens ( e das mulheres) é mimético, quer dizer assenta sobre os objectos que os outros também desejam.
quanto mais o desejo do outro é intenso maior o meu será.
nesta escalada surge um momento em que o desejo do outro conta mais que o próprio objecto.
a rivalidade torna-se num conflito pessoal e termina em violência aberta.
o conflito humano é um produto da rivalidade.
nos animais os conflitos de rivalidade resolvem-se em geral pelo estabelecimento de relações de dominação.
nos homens, nem pensar. não se submetem espontâneamente e começam violências intermináveis no interior da própria espécie ou grupo, praticam a vingança diferida no tempo, e por mimetismo tornam a violência um assunto colectivo.
a violência humana torna-se contagiosa por mimetismo, e a crise mimética pode acabar em massacre. temos muitos linchamentos na história que resultam de puro mimetismo de comportamento, a começar por j.cristo.
há uma crise mimética actualmente em curso em portugal, veja-se o caso de sócrates, é imparável a sua saída da cena politica.
quanto mais o desejo do outro é intenso maior o meu será.
nesta escalada surge um momento em que o desejo do outro conta mais que o próprio objecto.
a rivalidade torna-se num conflito pessoal e termina em violência aberta.
o conflito humano é um produto da rivalidade.
nos animais os conflitos de rivalidade resolvem-se em geral pelo estabelecimento de relações de dominação.
nos homens, nem pensar. não se submetem espontâneamente e começam violências intermináveis no interior da própria espécie ou grupo, praticam a vingança diferida no tempo, e por mimetismo tornam a violência um assunto colectivo.
a violência humana torna-se contagiosa por mimetismo, e a crise mimética pode acabar em massacre. temos muitos linchamentos na história que resultam de puro mimetismo de comportamento, a começar por j.cristo.
há uma crise mimética actualmente em curso em portugal, veja-se o caso de sócrates, é imparável a sua saída da cena politica.
terça-feira, 8 de março de 2011
sugestionamento
encontrei o zé por acaso, já não o via há muito. falamos do passado, das antigas namoradas, enfim daquelas coisas, e trocamos contactos. psicólogo de formação e estudioso dos comportamentos humanos, ligou-me na altura do seu aniversário e convidou-me a jantar com o seu grupo de amigos. deve ter entendido que a minha vida precisava de um empurrão.
foi assim que reencontrei a sofia, perdi-lhe o rasto há uns dez anos desde que a nossa breve relação terminou quando conheceu e se apaixonou irremediavelmente pela filipa, coisas da vida. continua irresistível, o seu corpo ainda suporta bem a saia justa e a blusa apertada. o seu sorriso aberto e a sua simpatia fazem o resto. o zé tratou de me sentar ao lado dela e sem pensar muito, ou melhor pensando pouco, dei por mim altas horas da madrugada enfiado no seu apartamento.
impulsionada pela minha curiosidade foi-me contando peripécias da sua relação com a filipa. a verdade é que, dissipada a desilusão inicial por ter sido preterido por uma mulher, os meus desejos mais profundos e inconscientes impunham-me a fantasia sexual de estar com as duas.
contou-me que a ultima vez que viu a filipa numa festa, já estavam separadas, despediram-se com um longo beijo. no regresso a sua casa, no metro, a sofia ainda com o sabor intenso desse beijo, recordou-o longamente e deixou-se invadir por memórias de luxuria. lentamente as suas pernas contrairam-se, sentiu-se corar, e descontrolada mordeu os lábios para reprimir o som do seu orgasmo. foi o local e a ocasião mais estranha e inesperada em que teve um orgasmo, confessou.
não sei se é veridica ou se se trata apenas de uma historia uma vez que não tem parelelo no meu universo masculino, onde apenas pelos sonhos se dá ejaculação por sugestão sem qualquer outro contacto fisico. mas a história teve um objectivo erotico, e uma finalidade sexual que nessa noite foram plenamente atinjidos.
foi assim que reencontrei a sofia, perdi-lhe o rasto há uns dez anos desde que a nossa breve relação terminou quando conheceu e se apaixonou irremediavelmente pela filipa, coisas da vida. continua irresistível, o seu corpo ainda suporta bem a saia justa e a blusa apertada. o seu sorriso aberto e a sua simpatia fazem o resto. o zé tratou de me sentar ao lado dela e sem pensar muito, ou melhor pensando pouco, dei por mim altas horas da madrugada enfiado no seu apartamento.
impulsionada pela minha curiosidade foi-me contando peripécias da sua relação com a filipa. a verdade é que, dissipada a desilusão inicial por ter sido preterido por uma mulher, os meus desejos mais profundos e inconscientes impunham-me a fantasia sexual de estar com as duas.
contou-me que a ultima vez que viu a filipa numa festa, já estavam separadas, despediram-se com um longo beijo. no regresso a sua casa, no metro, a sofia ainda com o sabor intenso desse beijo, recordou-o longamente e deixou-se invadir por memórias de luxuria. lentamente as suas pernas contrairam-se, sentiu-se corar, e descontrolada mordeu os lábios para reprimir o som do seu orgasmo. foi o local e a ocasião mais estranha e inesperada em que teve um orgasmo, confessou.
não sei se é veridica ou se se trata apenas de uma historia uma vez que não tem parelelo no meu universo masculino, onde apenas pelos sonhos se dá ejaculação por sugestão sem qualquer outro contacto fisico. mas a história teve um objectivo erotico, e uma finalidade sexual que nessa noite foram plenamente atinjidos.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
clivagen
apesar das reivindicações igualitárias a clivagem persiste entre uma sexualidade feminina maioritariamente pensada num registo de afectividade e de conjugalidade e uma sexualidade masculina pensada no registo das necessidades.
Atrevo-me mesmo a dizer que é uma clivagem genética que a cultura e a moral dominante tentam elimninar sem sucesso... felizmente.
Atrevo-me mesmo a dizer que é uma clivagem genética que a cultura e a moral dominante tentam elimninar sem sucesso... felizmente.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
test drive
Saiu numa edição do Financial Times (maior jornal sobre economia do mundo).
E-mail da rapariga:
"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste jornal, ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas?
Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West.
Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente.
Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela? (Raphaella S.)"
Resposta do editor do jornal:
"Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação.
Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo a toa...
Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio.
Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas : Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro.
Mas tem um problema.
Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando.
Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta!
Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco.
Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada.
Usando o linguajar de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece...
Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and
hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim!
Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar.
Cogitar...Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de
praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio...podemos marcar?"
(Philip Stephens, associate editor of the Financial Times - USA)"
E-mail da rapariga:
"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste jornal, ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas?
Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West.
Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente.
Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela? (Raphaella S.)"
Resposta do editor do jornal:
"Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação.
Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo a toa...
Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio.
Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas : Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro.
Mas tem um problema.
Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando.
Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta!
Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco.
Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada.
Usando o linguajar de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece...
Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and
hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim!
Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar.
Cogitar...Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de
praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio...podemos marcar?"
(Philip Stephens, associate editor of the Financial Times - USA)"
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
o teu beijo

beijo de mensagem
abreviada ou prolongada.
beijo de aeroporto
significa muito, sabe a pouco.
beijo de motel
mistura de fluidos e mel.
com sabor morango em passo de tango
beijo de mãos dadas e bocas ávidas.
beijo que se sobrepõe à ausência
que se interpõe com frequência
anulador de carência
catalizador de turbulência.
beijo, invulgar beijo o teu.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Autobiografias

não gosto de autobiografias.
normalmente são racionalizações efectuadas à posteriori.
colocam retrospectivamente o passado do ponto de vista do presente.
ora uma vida faz-se de uma pluralidade de trajectórias possíveis onde o resultado final é concerteza o produto de decisões individuais, mas também de circunstâncias, de acidentes extremos, do improviso.
todos nós já nos pusemos a imaginar o que teria sido a nossa vida se não tivéssemos tomado certa decisão, conhecido certa pessoa, escolhido determinado local para viver ou trabalhar.
isto tudo a propósito de uma certa situação onde fiz a retrospectiva da minha vida para outra pessoa... claro que se omite o que nos parece ser mau e enaltece o bom... não só intencionalmente mas também porque a nossa própria memória já se encarregou de diluir o que não serve e sublinhar o que pode ser útil.
deve ser a isso que se chama "dourar a pílula" e constitui uma forma de aumentarmos a nossa auto estima.
em conclusão diria que qualquer autobiografia é apenas parte de uma realidade que foi filtrada, amassada e reeditada para um certo propósito, o que se torna provavelmente ainda mais evidente nas biografias autorizadas ou não.
...
normalmente são racionalizações efectuadas à posteriori.
colocam retrospectivamente o passado do ponto de vista do presente.
ora uma vida faz-se de uma pluralidade de trajectórias possíveis onde o resultado final é concerteza o produto de decisões individuais, mas também de circunstâncias, de acidentes extremos, do improviso.
todos nós já nos pusemos a imaginar o que teria sido a nossa vida se não tivéssemos tomado certa decisão, conhecido certa pessoa, escolhido determinado local para viver ou trabalhar.
isto tudo a propósito de uma certa situação onde fiz a retrospectiva da minha vida para outra pessoa... claro que se omite o que nos parece ser mau e enaltece o bom... não só intencionalmente mas também porque a nossa própria memória já se encarregou de diluir o que não serve e sublinhar o que pode ser útil.
deve ser a isso que se chama "dourar a pílula" e constitui uma forma de aumentarmos a nossa auto estima.
em conclusão diria que qualquer autobiografia é apenas parte de uma realidade que foi filtrada, amassada e reeditada para um certo propósito, o que se torna provavelmente ainda mais evidente nas biografias autorizadas ou não.
...
sexta-feira, 11 de junho de 2010
conhecer-te

o que o teu olhar distraído e vago insinua
mais intimo que o teu outro lânguido ensaia
tal como entre cortinas de perfumes sintéticos
embriaga-me apenas a pura essência de fêmea.
muito mais que o teu sorriso franco e aberto
prendem-me as nuances volumétricas desses lábios
feitas de pequenos movimentos sincronizados
por estímulos que transpõem defesas imaginárias.
sentiste-me? queres saber.
como se não importasse a transpiração da respiração
que tropeça no embargo da voz.
como se não visse o lençol que se enreda nos dedos
à medida que os teus punhos se fecham.
como se não soubesse da lassidão quente
que vem após humidas contracções.
dizes que não te conheço
e no entanto preferia desconhecer-te
para te conhecer de novo.
.
mais intimo que o teu outro lânguido ensaia
tal como entre cortinas de perfumes sintéticos
embriaga-me apenas a pura essência de fêmea.
muito mais que o teu sorriso franco e aberto
prendem-me as nuances volumétricas desses lábios
feitas de pequenos movimentos sincronizados
por estímulos que transpõem defesas imaginárias.
sentiste-me? queres saber.
como se não importasse a transpiração da respiração
que tropeça no embargo da voz.
como se não visse o lençol que se enreda nos dedos
à medida que os teus punhos se fecham.
como se não soubesse da lassidão quente
que vem após humidas contracções.
dizes que não te conheço
e no entanto preferia desconhecer-te
para te conhecer de novo.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
moral biológica
se consultarmos um padre, um psicanalista ou um pensador racional todos responderão que ter uma conduta moral é lutar contra os seus apetites, reprimir as suas pulsões e controlar os seus instintos.
portanto em oposição à vivência actual assente na satisfação imediata dos impulsos, cada vez mais escudada no sentimento de que a moral é de origem biológica e do domínio do inato.
seriamos assim generosos por instinto,fieis por natureza, sinceros por incapacidade de mentir, donde não haveria mérito em se comportar de forma moral, não mais do que comer quando temos fome. o avaro, o delinquente e o invejoso apenas teriam que responder que estão a fazer o que o seu metabolismo ordena.
felizmente a moral não é nem uma luta constante contra os instintos nem os instintos estão em roda livre. assim, quando renunciamos a seduzir a mulher de um amigo reprimindo um desejo sexual (igualmente biológico) trata-se de uma virtude simultâneamente moral e biológica: estamos a cuidar da nossa integridade e do equilíbrio das forças que em nós existem.
portanto em oposição à vivência actual assente na satisfação imediata dos impulsos, cada vez mais escudada no sentimento de que a moral é de origem biológica e do domínio do inato.
seriamos assim generosos por instinto,fieis por natureza, sinceros por incapacidade de mentir, donde não haveria mérito em se comportar de forma moral, não mais do que comer quando temos fome. o avaro, o delinquente e o invejoso apenas teriam que responder que estão a fazer o que o seu metabolismo ordena.
felizmente a moral não é nem uma luta constante contra os instintos nem os instintos estão em roda livre. assim, quando renunciamos a seduzir a mulher de um amigo reprimindo um desejo sexual (igualmente biológico) trata-se de uma virtude simultâneamente moral e biológica: estamos a cuidar da nossa integridade e do equilíbrio das forças que em nós existem.
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